Prostituição: trabalho digno ou estupro remunerado?

Pergunta feita no facebook®.

Resposta:

É possível haver trabalho digno DE FATO sob o capitalismo? Alguém dentre todos os trabalhadores está num trabalho digno? Não. Vendemos nossa força de trabalho no mercado de trabalho a troco de miséria, alienações e reificações. Logo, procurar na prostituição sob o capitalismo um trabalho digno é procurar uma qualidade que não se encontra em nenhum trabalho assalariado dentro da sociedade de classes.
Não esquecendo que: NÃO EXISTE SOCIEDADE DE CLASSES SEM PROSTITUIÇÃO! A prostituição é o outro lado da moeda da patriarcal família monogâmica, que é fabricação direta das relações sociais sob a propriedade privada.


Dito isto, fica clara a necessidade de mudar a pergunta, e algumas coisas se esclarecem: a prostituição é um tipo de relação social AINDA MAIS DEGRADANTE do que as outras relações sociais? Com certeza!
O que acontece é que uma grande parcela das feministas apontam soluções prá esse problema que estão mais no mundo da fantasia do que no mundo concreto: proibir a prostituição está entre uma delas…(e com possibilidade de fortalecer setores retrógrados da sociedade…).

“as mulheres se prostituem por falta de opção”. De fato! Mas vamos pensar na situação mundial: o emprego está ano após ano diminuindo. LOGO: se uma política pública tirar as mulheres da prostituição ocorrerá das duas, uma: OU NÃO TERÁ TRABALHO PURA E SIMPLESMENTE
OU
TERÁ UM TRABALHO COM UM SALÁRIO TÃO INSUFICIENTE QUE ELAS VOLTARÃO À PROSTITUIÇÃO!
O desemprego hoje não é só por falta de formação: é simplesmente estrutural. Dar formação à essas mulheres não dará um emprego no colo delas. E a grande maioria delas, de fato, tem baixíssima escolaridade. Óbvio que é melhor elas terem uma melhor escolaridade. Mas isso POR SI não as tirará da prostituição nem dará um emprego.

“ah! então vc vem com aquele papinho de revolução? elas precisam comer, vestir, morar…” De fato! Precisam de tudo isso, e de forma digna! Mas nem por isso eu vou apontar soluções fantasiosas, que não solucionam nada! A curto e médio prazo, podemos apontar a sindicalização delas (não aquela porcaria criada pelo Jean Willis, importante salientar), algo com VÁRIAS possíveis consequências positivas, e que de fato muitas já lutam por isso.

Porém, para isso é necessário discutir se prostituição é trabalho, degradante ou não. O texto linkado acima da Amanda Palha discute isso rápida, porém competentemente. Em suma, contrapondo o conceito generalizado entre as feministas de que a prostituta vende o corpo, ela esclarece que, como _ via de regra_ o comprador do serviço não tem controle sobre a vida delas após o “serviço”, não há uma relação de escravidão, não configurando por isso a venda do corpo. Nisso ela não está por um segundo diminuindo o caráter terrível dessa profissão: a maioria absoluta das prostitutas não têm oportunidades melhores de sobrevivência. Por ser uma discussão muito nova, ainda há muito o que acrescentar, mas é isso em linhas gerais: fica claro que o objetivo tático é melhorar as condições objetivas (perspectiva econômica imediata) e subjetivas (através da sindicalização delas, elas descobrem o poder que a categoria tem, quando lutam juntas) das trabalhadoras do sexo, apontando através disso a necessidade de submeter essas lutas táticas a uma estratégia socialista, onde somente um partido revolucionário conseguiria articular essa luta particular (de um segmento da sociedade) dentro de uma luta mais ampla, que abarque a sociedade inteira.

Fica claro que apontamos aqui como solução definitiva a revolução socialista. Porque? OU muda a sociedade em suas bases mais fundamentais _ a eliminação da compra e venda de força de trabalho_ , OU continuará havendo prostituição, quer queira, quer não.

No comunismo, o trabalho _ aqui, trabalho como sendo a relação metabólica do homem com a natureza, e não o de exploração de um ser humano sobre outro nem de uma classe sobre outra_ será “de cada um segundo a sua capacidade, prá cada um segundo a sua necessidade”; sob tais circunstâncias acabam as pressões materiais para os seres humanos se submeterem a quaisquer situações degradantes.

Sugestão de leitura: Abaixo a família monogâmica!

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