História da minha posição política atual

Mesmo meu pai tendo lutado como pôde contra a ditadura brasileira, quando eu tive idade prá me entender por gente ele já tinha sido engolfado pelo horroroso cotidiano da sobrevivência dentro do capitalismo; exatamente como o velho Marx declara: “a vida concreta fabrica a consciência, e não o contrário”.

E eu, que já cresci dentro desse cotidiano “tóxico”, iniciei a vida de adolescente um tanto religioso, sendo por isso um enorme desgosto prá ele. Passei dez anos numa religião que ele detesta, e fui me tornando cada vez mais reacionário. Porém, nesse meio tempo, ouvindo a rádio cultura, fizeram uma análise do cenário musical brasileiro “pop” (cerca do ano 2000 mais ou menos?) usando um livro de Theodore Adorno. Adorei a análise, que envolvia tanto o aspecto técnico quanto mercadológico da música, tudo ali fazia sentido, e tinha até um ar poético no texto dele. Como era um livro da Coleção Pensadores, qualquer Sebo de livros tinha de monte; achei, comprei e li e re-li algumas vezes.

Ao ler, percebi que muito ali era, com o devido cuidado, transferível prá quase todos os campos da vida. Até aí eu nem sacava que eu tava baseando minha noção de mundo através de um escritor marxista.
Por analisar historicamente a bíblia, decidi sair daquela religião (2010, + ou -)  por considerar a bíblia um livro profano, como qualquer outro. Consequentemente o spectro PERMITIDO de leituras prá mim se expandiu infinitamente. Foi então que li alguns livros em PDF (entre eles, “Microfísica do poder”, de M. Foucault, e “As artimanhas da exclusão”, Bader Sawaia); assisti o “De La Servitude Moderne”, genial; porém quando comecei o livro-base dele (“A sociedade do espetáculo”, Guy Debord), percebi que não tinha a base teórica prá encarar. Entrei em contato com os sites de notícias ditos “progressistas”. Fui com isso tudo saindo paulatinamente daquela visão religiosa/reacionária de mundo. Podemos dizer que nesse ponto eu já estava completamente do lado esquerdo da força. Finalmente em 2015 um amigo e eu batemos um papo com (na época) um amigo dele, que me colocou em contato com mais autores e conceitos teóricos,  tais como Lukács, Lênin, Trotsky, Gramsci, Rosa, Mészáros… etc.

Eles fizeram contraposição a algumas posições políticas minhas, adotadas por conta da minha proximidade com o vastíssimo campo “democrático-popular”; todos os apontamentos me pareceram muito razoáveis, embora muitos conceitos fossem novos (o básico de Lênin, por exemplo, era por mim completamente desconhecido; a história da esquerda no Brasil, idem), explicaram a pesada autocrítica feita no final da década de 90 pelo partido no qual militam (PCB), e isso com certeza foi o que me fez os olhos brilharem: autocrítica, em nível organizacional, é algo terrivelmente difícil de se fazer, até porque depende de fazer um julgamento negativo sobre sua própria prática, seja qual for. E esse julgamento negativo dificilmente vai ser aceito por uma maioria que pode estar ainda na prática diária disso.

Consequentemente, ao invés de apenas orbitar o campo vasto e mal definido da “esquerda”, eu me tornei comunista no partidão! =)

Hoje não tenho dúvidas de que minha base teórica é marxista de matiz lukacsiana.

 

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